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Muito dono de negócio sabe de cabeça quanto vendeu no mês. Poucos sabem dizer quanto custou aquilo que venderam. E é exatamente nessa diferença que mora o lucro, ou o prejuízo disfarçado de faturamento bonito.

O CMV responde uma pergunta que parece óbvia mas quase nunca tem resposta precisa: de tudo que saiu da prateleira, quanto eu paguei?

A fórmula

CMV = Estoque inicial + Compras do período - Estoque final

Repare que não é só somar as notas de compra. O estoque entra na conta duas vezes: o que você tinha quando o período começou e o que sobrou quando terminou. É isso que transforma o CMV num retrato fiel do que de fato foi vendido, e não do que foi comprado.

Exemplo prático

Uma loja começou o mês com R$ 40.000 em estoque, comprou R$ 25.000 em mercadoria e terminou o mês com R$ 35.000 na prateleira.

CMV = 40.000 + 25.000 - 35.000 = R$ 30.000

Se essa loja faturou R$ 50.000 no mês, o CMV representa 60% da venda. Sobraram 40% para pagar despesa fixa, impostos sobre a operação e, só depois disso, gerar lucro.

Para que serve na prática

O CMV em percentual da venda é o número que você compara mês a mês. Ele denuncia três coisas que o faturamento esconde:

Os erros mais comuns

1. Confundir compra com custo

Mês de compra alta não significa CMV alto. Se a mercadoria ficou no estoque, ela ainda não é custo, é ativo parado. Quem olha só a nota de compra conclui errado nos dois sentidos.

2. Ignorar o frete e os impostos da entrada

O custo da mercadoria é o custo de colocá-la na prateleira: valor de nota, frete, seguro e impostos não recuperáveis. Deixar isso de fora infla a margem no papel e fura o caixa na prática.

3. Calcular uma vez por ano

CMV é indicador de gestão, não de contabilidade. Feito só no fechamento do ano, ele vira autópsia: explica por que o negócio morreu, mas não salva mais ninguém. O ideal é acompanhar todo mês.

CMV e margem andam juntos

Conhecendo o CMV, a margem bruta sai de graça:

Margem bruta % = (Vendas - CMV) / Vendas × 100

É essa margem que precisa cobrir aluguel, folha, energia e ainda sobrar. Se você sabe que a despesa fixa consome 25% da venda, e o CMV está em 60%, os 15% restantes são o seu teto de lucro. Qualquer promoção, desconto ou perda sai desse espaço.

Faturamento é vaidade, lucro é sanidade, caixa é realidade. O CMV é a ponte entre os três.

Por onde começar

  1. Faça um inventário honesto hoje. Esse é o seu estoque inicial.
  2. Registre todas as compras do mês com frete incluído.
  3. No fim do mês, conte de novo. Aplique a fórmula.
  4. Divida o CMV pela venda do mês e guarde o percentual.
  5. Repita todo mês e compare. A tendência importa mais que o número isolado.

Não precisa de sistema caro para começar: uma planilha resolve. O que não dá é para tocar negócio de compra e venda sem saber quanto custa o que se vende.