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Parece contradição, mas acontece todo dia: a empresa bate recorde de vendas, contrata, compra mais estoque, e três meses depois não tem dinheiro para pagar a folha. O nome disso é crise de liquidez, e ela não escolhe negócio ruim. Escolhe negócio sem controle de caixa.

Lucro não é dinheiro no bolso

O ponto que mais confunde é este: lucro e caixa são coisas diferentes. O lucro aparece na conta quando você vende. O dinheiro aparece no banco quando o cliente paga. Entre um e outro existe um intervalo, e é nesse intervalo que os negócios morrem.

Pense na sequência de um pedido em atacado ou distribuição:

  1. Você compra mercadoria do fornecedor com prazo de 30 dias.
  2. A mercadoria fica 20 dias no estoque até vender.
  3. Você vende com prazo de 45 dias para o cliente.

Resultado: você paga o fornecedor no dia 30, mas só recebe no dia 65. Durante 35 dias, quem financia a operação é o seu caixa. Esse intervalo tem nome: ciclo financeiro. Quanto maior ele for, mais dinheiro parado a empresa precisa ter para girar.

Por que crescer piora o problema

Agora dobre as vendas dessa empresa. O lucro futuro dobra, ótimo. Mas o dinheiro que ela precisa adiantar para comprar estoque e financiar prazo de cliente também dobra, e ele é exigido agora, antes de qualquer recebimento novo entrar. Crescimento acelerado consome caixa antes de devolver caixa.

Crescer sem caixa é como acelerar com o tanque na reserva: a velocidade aumenta, e a parada também se aproxima.

Por isso os quatro cenários que menciono no vídeo terminam tão diferentes:

Como montar um fluxo de caixa que funciona

1. Comece pelo regime de caixa

Registre entradas e saídas na data em que o dinheiro se move de verdade, não na data da venda. Venda a prazo entra no fluxo na data prevista de recebimento.

2. Projete pelo menos 60 dias

O fluxo que só olha para trás é extrato bancário. O valor está na projeção: contas a receber, contas a pagar, folha, impostos e compromissos recorrentes lançados nas datas futuras. É ela que mostra o buraco antes de você cair nele.

3. Ataque o ciclo financeiro pelos três lados

4. Separe o caixa da empresa do bolso do dono

Defina um pró-labore e respeite. A mistura entre conta pessoal e conta da empresa é o jeito mais rápido de perder a visão real do negócio.

O sinal de alerta que ninguém quer ver

Se a sua empresa vende cada vez mais e o saldo em conta está cada vez menor, pare e monte o fluxo hoje. Esse é o sintoma clássico do crescimento que consome caixa. Detectado cedo, se resolve com prazo e planejamento. Detectado tarde, se resolve com empréstimo caro, ou não se resolve.

Domine o caixa antes de pensar em expandir. A expansão agradece.