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De tempos em tempos, volta ao debate no Brasil a proposta de permitir a venda de medicamentos isentos de prescrição (os MIPs: analgésicos, antitérmicos, antiácidos e afins) em supermercados. Em vários países isso já é rotina há décadas. Por aqui, a discussão opõe dois setores gigantes do varejo, e quem trabalha com qualquer um dos dois precisa entender o tabuleiro.

A lógica do consumidor

O cliente não quer ir em três lugares. Ele quer resolver tudo em um só. E o mercado vai seguir isso.

Essa é a força motriz de toda a discussão. Conveniência vem redesenhando o varejo inteiro: o supermercado virou farmácia de perfumaria, a farmácia virou loja de conveniência com sorvete e carregador de celular, o atacarejo virou tudo ao mesmo tempo. A fronteira entre canais está cada vez mais borrada, e a fila anda na direção de quem resolve mais coisas na mesma parada.

O caso do supermercado

O caso da farmácia

O que pouca gente olha: o meio da cadeia

Para a indústria e a distribuição, um canal novo é mais ponto de venda, mais pedido e mais negociação, ninguém do meio da cadeia reclama de porta nova. Representantes e distribuidores que hoje atendem só farma passariam a disputar espaço também no alimentar, e vice-versa. Quem já trabalha os dois canais sai na frente, porque conhece as duas dinâmicas de compra.

Como cada um deve se mexer

Se você é do varejo alimentar

Acompanhe a regulação, mas não espere por ela: a seção de perfumaria, higiene e bem-estar já cresce sem MIP nenhum. Construir competência nessa categoria hoje é o ensaio para o dia em que a regra mudar, se mudar.

Se você é da farmácia

A defesa regulatória é legítima, mas a estratégia não pode ser só ela. A resposta de longo prazo é ser insubstituível no que o supermercado não faz: serviço farmacêutico, acompanhamento, aplicação, manipulação, relacionamento. Farmácia que é só gôndola de MIP com balcão compete por preço, e essa guerra o gigante ganha.

Se você vende para os dois

Mapeie o portfólio pelo critério do canal: o que é exclusivo de farma hoje, o que já transita, o que transitaria numa mudança de regra. O mix de cada canal seguirá lógicas diferentes mesmo que a regra mude.

Oportunidade ou ameaça?

Depende de onde você está no balcão, e principalmente de quando você começa a se preparar. Toda mudança de regra no varejo produz os mesmos dois grupos: os que reclamaram até ela chegar e os que chegaram prontos. A escolha do grupo é sua.