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O cliente entra na loja atrás de um item, não encontra, e leva junto para o concorrente todas as outras compras que faria. A ruptura de um produto de R$ 12 pode custar um carrinho de R$ 200, e o pior: esse prejuízo não aparece em relatório nenhum. O que aparece é o oposto, o estoque encalhado, que todo mundo vê e ninguém resolve.

Gestão de mix é administrar essa tensão: ter o que o cliente procura sem afogar o caixa em produto parado.

Comece pela curva ABC

Classifique os produtos pela participação no faturamento:

ClassePerfil típicoRegra de ouro
A20% dos itens, cerca de 80% da vendaRuptura proibida. Estoque de segurança sempre.
B30% dos itens, cerca de 15% da vendaReposição regular, monitorar giro.
C50% dos itens, cerca de 5% da vendaQuestionar um a um: serve ao mix ou só ocupa espaço?

O erro clássico é tratar tudo igual: o item A falta porque o pedido atrasou, enquanto o item C tem seis meses de estoque. A curva ABC coloca a atenção (e o capital) onde a venda acontece.

Nem todo item C é descartável

Antes de cortar a cauda do sortimento, pergunte o que cada item faz pelo conjunto:

Novidade é oxigênio

Você atrai clientes com novidades? Deveria. Lançamento dá assunto para a equipe, motivo para o cliente voltar e espaço para renegociar com a indústria. Mas novidade tem método:

  1. Entra em quantidade de teste, nunca em pedido cheio.
  2. Tem prazo para provar giro (60 a 90 dias é razoável).
  3. Se provou, ganha espaço de item B. Se não, sai sem dó, o espaço de prateleira é o ativo mais disputado da loja.
Mix não é coleção, é escalação. Todo produto precisa ter uma função em campo, e quem não joga sai do time.

Sinais de que o seu mix precisa de revisão

Rotina mínima de gestão de mix

Uma vez por mês: rode a curva ABC, liste rupturas de itens A da quinzena, liste itens sem venda em 90 dias e decida o destino de cada um. Uma tarde de trabalho por mês, e o sortimento para de ser herança e vira decisão.